sábado, 29 de dezembro de 2012


Espero-te meticulosamente… sob o aguardar incessante de quem já não está, estando.

Espero-te na ânsia desta insatisfação imensa que abunda sobre mim e sobre o mundo. Escuto o tic tac do relógio lá fora e no desespero de quem vai “ficando” recordo as palavras repetidas do meu pai face à minha insatisfação de sempre: “Filha, um dia ainda vais entender que até um relógio parado consegue estar certo duas vezes por dia!”.

Reconheço-lhe a veracidade, porém, escuto, não muito longe, o esgotar do tempo perante a espera pelo acertar do relógio. Não posso esperar – penso. Não quero esperar – concluo.

E por entre este calendário que não volta, deito a cabeça sobre a almofada, mergulhada no meu eu complexo (ou direi, confuso?) e nestas notas de música que se invadem sobre mim como pensamentos embrulhados na razão da emoção.

Vejo-te chegar, sem explicações, fundamentos ou leis científicas. Na mala, encontro o peso do indispensável… a vontade infindável, o tempo que não se esgota e as palavras que se atropelam por entre os silêncios que se acumulam sobre o que não precisamos dizer. E os desencontros permitem-nos encontrar… e ir… com duas únicas [in] certezas… não há um lugar para ir, nem um dia para voltar.

Livres, finalmente…


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