Espero-te
meticulosamente… sob o aguardar incessante de quem já não está, estando.
Espero-te
na ânsia desta insatisfação imensa que abunda sobre mim e sobre o mundo. Escuto
o tic tac do relógio lá fora e no desespero de quem vai “ficando” recordo as
palavras repetidas do meu pai face à minha insatisfação de sempre: “Filha, um
dia ainda vais entender que até um relógio parado consegue estar certo duas
vezes por dia!”.
Reconheço-lhe
a veracidade, porém, escuto, não muito longe, o esgotar do tempo perante a
espera pelo acertar do relógio. Não posso esperar – penso. Não quero esperar –
concluo.
E
por entre este calendário que não volta, deito a cabeça sobre a almofada,
mergulhada no meu eu complexo (ou direi, confuso?) e nestas notas de música que
se invadem sobre mim como pensamentos embrulhados na razão da emoção.
Vejo-te
chegar, sem explicações, fundamentos ou leis científicas. Na mala, encontro o
peso do indispensável… a vontade infindável, o tempo que não se esgota e as
palavras que se atropelam por entre os silêncios que se acumulam sobre o que
não precisamos dizer. E os desencontros permitem-nos encontrar… e ir… com duas
únicas [in] certezas… não há um lugar para ir, nem um dia para voltar.
Livres,
finalmente…

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