sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"A vida tinha continuado depois, a vida continua sempre. Dá-te razões para chorar e razões para rir. É a vida, Joséphine, confia nela. A vida é uma pessoa, uma pessoa que é preciso tomar como parceira. Entrar na sua valsa, nos seus redemoinhos, por vezes obriga-te a engolir água salgada e julgas que vais morrer, depois agarra-te pelos cabelos e deixa-te mais adiante. Por vezes esmaga-te os pés, por vezes faz-te dançar. É preciso entrar na vida como se entra numa dança. Não parar o movimento chorando por si mesmo, acusando os outros, bebendo, tomando pequenas pílulas para amortecer o choque. Dançar, dançar, dançar. Superar as provas que te apresenta para te tornar mais forte, mais determinada. (...) Ainda haveria mais vagas, mas ela sabia que teria força para as ultrapassar e que haveria sempre, sempre, uma mão para a apanhar.
- A vida é isso - disse para si mesma com segurança, olhando-se no espelho. Vagas e vagas."

Os olhos amarelos dos crocodilos, Katherine Pancol
Porque, eu sei, que um dia, simplesmente, vou acordar e perceber que não passou tudo de um pesadelo... [ou assim espero]

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