
Hoje conheci um herói. "- Um herói?!" - perguntam vocês. Um herói... um herói daqueles à séria, grandes, poderosos, que têm tanta força e tanta coragem que nos fazem sentir pequeninos e assustados. Um herói como aqueles que nos entravam pela casa adentro quando éramos crianças e nos maravilhavam com os seus super poderes. Um herói desses mesmo, que nos fazem pensar "Uau... eu quero ser assim!".
Entrou na minha sala enquanto eu trabalhava. Cumprimentou os presentes, pedi que se sentasse e ali ficou, a observar-me silenciosamente até que chegasse a sua vez. Tenho de admitir, não desconfiei de nada. Aparentemente, era tão somente uma pessoa como tantas outras, igual a mim, igual a qualquer um de vocês. Nada de capas vermelhas, de máscaras pretas ou de vestimentas repletas de teias-de-aranha. Aquilo a que chamamos, um ser humano comum!
Aproximei-me dele e disse-lhe o meu nome. Adam Keman - respondeu-me ele, sorrindo. - Eu chamo-me Adam Keman. Desejei-lhe Boas Festas e expliquei-lhe o que iria fazer. Ouviu atentamente e encorajou-me a prosseguir.
Perguntei-lhe se tinha alguém na sala de espera. Respondeu-me que não.
- Eu moro sozinho. - começou ele a contar-me - Tenho três filhos, mas a vida quis que eles partissem primeiro que eu. Todos de acidente.
- No mesmo acidente? - perguntei, assustada com os dissabores da vida.
- Não. Cada qual no seu acidente, cada qual no seu momento.
Fez-se silêncio.
- Mas sabe?! - continuou o meu herói - eu tenho uma força imensa cá dentro. Uma força do tamanho do mundo, multiplicada por três. E quando me sinto triste, relembro cada um deles, as suas diabruras, as suas conquistas, os tantos momentos que partilhámos juntos. E sinto-me grato... grato por ter a minha memória, por poder relembrá-los. E foi por eles que há um ano resolvi aprender violino. É um instrumento dificílimo... mas tem-me dado um gozo imenso. Além disso, se fosse fácil, eu não o escolheria. Tenho 73 anos, sei que muito provavelmente nunca consiguirei tocar violino devidamente. Mas não importa! - concluiu, sorrindo - Porque o que realmente importa é o caminho que se trilha.
Feliz Natal, Adam Keman...
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